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| Marcelo Camargo/Agência Brasil |
“Vamos unir a todos, não haverá distinção entre nós, seremos um só povo, um só país, sobre uma só bandeira, um só hino.”
À primeira vista a
frase de Boso parece inocente, positiva e reconfortante, no entanto, pode
significar censura, perseguição e marginalização da oposição.
Talvez essa frase não
seria nada demais se fosse proferida pela maioria dos candidatos que
concorreram a presidência nessa eleição, mas, pelos antecedentes do agora
eleito presidente ela pode ser interpretada de uma forma negativa.
Quando a ouvi a
primeira indagação que tipo de “um só povo” ele está pregando. Não me entendam mal,
não sou contra ser um só povo, mesmo porque já o somos. Um mesmo povo, com características
distintas, pensamentos diferentes e regionalismos diversos. Cada canto desse país
tem sua peculiaridade e sua maneira de enxergar a vida e ao meu ver é isso que
faz o Brasil tão bonito.
A distinção entre o
povo brasileiro, seja a forma que for, não diminui, ou melhor, em hipótese alguma
pode ser motivo de régua moral para afirmar se alguém é menos ou mais
brasileiro.
Discordância política/ideológica
é salutar em uma democracia e para o crescimento de uma sociedade. Pensar que o
“meu jeito e minhas ideias” são as melhores para o país e que todo o resto está
errado e não serve para o Brasil é dividi-lo ainda mais.
Um povo unido não é um
povo que pensa e age de uma mesma forma, mas que convive, debate e respeita o contraditório.
Outro problema dessa
fala é pensar que como somos todos iguais logo não precisamos de políticas afirmativas,
um engano, somos todos iguais sim perante a lei, entretanto, muitos de nós
brasileiros não temos as mesmas oportunidades, infelizmente somos um país socialmente
e economicamente desigual e que até equalizarmos essa situação políticas públicas
voltadas para inclusão de determinados grupos da nossa sociedade é de extrema importância.
Ninguém se faz de
coitado ou quer ser visto assim, não aquela pessoa que tem o mínimo de hombridade,
a ideia é que esse tipo políticas afirmativas com o tempo desapareçam, mas para
isso repito, precisamos enfrentar a desigualdade e não escondê-la ou fingir que
não existe.
Digo tudo isso, pois Boso
já fez declarações afirmando que iria acabar com a esquerda, prender e mandar
para o exílio. Também disse ser contra diversas políticas afirmativas. Ele quer
ser o presidente de todos e unir o Brasil, mas precisa entender e aceitar as
diferenças e olhar com mais carinho para aqueles que precisam.
A continuar com esse
discurso o presidente eleito só vai ser mais um projeto de ditador de uma nação dividida e
pobre. Com respeito aos venezuelanos que sofrem, mas não queremos ser uma
Venezuela chavista.



